"Todo dia ela faz tudo sempre igualMe sacode às seis horas da manhã
E sorri um sorriso pontual
e me beija com a boca de hortelã"
Chico Buarque
Por que será que dizem tanto que a rotina mata? (Não ao Chico é claro). Que todo dia, todo dia, todo dia, todo dia e mais a soma de todos esses dias levam a algum dia melhor, será? Não sei, só sei que amanhã será mais um dia e depois será outro e depois outro e mais outro, mas tenho dúvida se depois de tantos dias teremos dias melhores, pessoas melhores e vidas melhores.
Parece que a soma dos dias, de anos e de vidas sob essa falta de perspectiva da condição social, reflete diretamente em nossos conflitos diários pra vencer a rotina e mais cedo ou mais tarde o espetáculo da desrazão de uma vida injusta e incompreensível gera a revolta.
A revolta pela abundância deste sentimento infeliz de situação absurda, da total inexistência de perspectiva. Mas não se preocupe, essa revolta só existe lá na França, aliás, só na periferia, não precisam desmarcar suas viagens, "a escória da França" não fará mal algum ao seu olhar estrangeiro sobre a cidade maravilhosa.
Na verdade todo esse depoimento coincidiu com meu meu recém começado estudo pelo existencialismo e em particular sobre o filósofo Albert Camus que por ventura é Francês e escreveu O Estrangeiro.
Em O Estrangeiro o autor mostra a vida de um homem comum, solitário, de uma rotina simples, sem grandes sonhos e questionamentos sobre o futuro, que compreende a vida tal como ela é e por incrível que pareça adora a sua vida e mesmo em muitas vezes estando em situações adversas não a trocaria por outra e se pudesse trocar de vida apenas gostaria de manter as lembranças desta vida, lembranças da sua rotina.
Então fica a dica, esse livro e muitos outros podem ser encontrados no site www.alfredo-braga.pro.br/biblioteca/biblioteca.html
Abraços
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